Revista Espaço Ética

A Ética do Consumo no Islã, por Jihad Hassan Hammadeh

A Ética do Consumo no Islã

Jihad Hassan Hammadeh[1]

Como citar: 

HAMMADEH, Jihad Hassan. A Ética do Consumo no Islã. in: Revista Espaço Ética: Educação, Gestão e Consumo. Ano I, N. 01, jan./abril de 2014, ps. 161-163 – ISSN: 2358-0224

Palavras-chave: Ética. Consumo. Islã. Consciência

Artigo em PDF

 

Introdução

A religião islâmica é uma das três principais religiões monoteístas — as outras duas são o judaísmo e o cristianismo. Ela é regida pelo Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos. Acredita-se que sejam as palavras de Deus reveladas através do anjo Gabriel ao profeta Mohammad, entre 610 e 633 d.C. aproximadamente.

Para os muçulmanos, o Islã é um código de vida, pois rege a vida do fiel em todos os seus aspectos, como indivíduo e como grupo, em todos os lugares e situações, dentro e fora da mesquita, na posição de pai, mãe, filho, marido, esposa, governante, cidadão, patrão, empregado, em tempos de paz e em tempos de guerra. Portanto, o Alcorão é a Constituição do muçulmano, já que se encontram nele todas as leis que regem os sistemas que envolvem o ser humano — financeiro, educacional, familiar, judicial etc. O objetivo é instituir diretrizes para que o ser humano não se perca em sua jornada nem precise sofrer para criar sistemas que organizem sua vida. Deus providenciou isso para que o homem não tenha de se preocupar com questões que estejam acima de sua capacidade de produzir e, assim, permaneça no campo da execução das leis. De acordo com o Islã, assim é que o fiel poderá viver feliz e em harmonia.

Um dos ensinamentos que Deus estabeleceu no Alcorão é a forma lícita de organizar o comércio. Ele diz: “E Deus permitiu a venda e proibiu a usura”. Não é difícil entender o porquê da proibição da usura ou dos juros e a permissão da compra e venda — a movimentação do dinheiro no mercado é o oxigênio da economia, em oposição a deixar o dinheiro parado rendendo juros, pois, desta forma, poucos se beneficiam em detrimento da maioria. Mas, ao mesmo tempo, tem de haver um equilíbrio na questão da compra e venda. Deus diz no Alcorão: “E assim os fizemos uma nação equilibrada”. Portanto, o equilíbrio é a forma correta de proceder em todas as situações, inclusive na vida financeira, para que não haja desperdício nem descontrole. Encontramos no Alcorão uma clara orientação ao consumo: “E comam e bebam e não desperdicem”. Dessa forma, o desperdício é proibido, mesmo que a pessoa tenha condições de aquisição e tudo esteja disponível.

É importante estabelecer a diferença entre desperdício e liberdade de usufruto do próprio dinheiro. O profeta Mohammad, que a paz de Deus esteja com ele e com os demais profetas, disse: “Certamente, Deus gosta de ver o resultado de Sua bênção no Seu servo”. Isso indica que a pessoa tem toda a liberdade e lhe é permitido usufruir como quiser de sua riqueza, sem avareza ou desperdício, sem soberba ou descontrole. Ele disse: “Comam, bebam, vistam e doem sem desperdício e sem soberba”.

O Islã nos ensina que tudo que está em nossa posse foi depositado em confiança por Deus, portanto, devemos ser responsáveis e estar à altura dessa confiança. Somos dotados de consciência, inteligência e discernimento para poder avaliar de forma adequada o que nos beneficia e o que nos prejudica em relação ao nosso corpo, nossa saúde, nossa riqueza, nossa família e o meio ambiente. O profeta Mohammad, que a paz de Deus esteja com ele e com os demais profetas, disse: “Não seja Immaa (seguidor cego). Se as pessoas fizerem o bem, faça também, e se elas fizerem o mal, retribua, mas controle-se — evite-as”.

Por meio desses ensinamentos, percebemos o quanto o Islã se preocupa com a questão da sociedade e do indivíduo, orientando-nos para que não caiamos nas armadilhas das propagandas persuasivas e da imitação das pessoas. Exige-se que uma pessoa consciente saiba se situar em todos os momentos, já que ela é bombardeada constantemente no campo da emoção.

Sabemos que o maior desafio diante da propaganda e das diversas táticas para vender os produtos anunciados em todas as mídias é preservar os valores, principalmente os religiosos, pois estes procuram dar estabilidade emocional e fazer as pessoas pensarem antes de ser seduzidas pelas apresentações que chegam a enfeitiçar.

 

[1] Xeique formado pela Universidade Islâmica de Medina (Árabia Saudita), é presidente do Conselho de Ética da União Nacional das Entidades Islâmicas e vice-presidente da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica na América Latina. jihad@wamy.org.br

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